Abro a edição on-line do Público ou do El Mundo e vejo que tenho muita sorte, a quantidade de tragédias, angústias e infelicidades que por ali se escrevem fazem-me pensar várias vezes em que mundo estamos a construir para os nossos filhos.
De qualquer forma, temos trabalho, pagam-nos a tempo e horas, temos um filho que dentro do possível vai estando saudável (ainda que se arrisque a uma 3ª cirúrgia ao quisto que tinha na garganta), temos seguros de saúde que nos permitem ir tratando da saúde sem esperar horas e horas, temos carros pagos, temos apenas um empréstimo de uma casa que comprámos a bom preço e não pagamos muito por ela, temos uma vida confortável apesar da instabilidade e por ela cada vez mais procuramos poupar, poupar, poupar sem deixar de viver.
Nunca pedimos empréstimos que não pudéssemos pagar, nunca pedimos um empréstimo para uma viagem, nunca nos alavancámos numa casa que não poderíamos pagar. Temos sorte é um facto porque há coisas que vivem dessa variável (como a empresa onde trabalhamos, etc..), espero nunca ter que passar por dificuldades e não o desejo a ninguém nem mesmo aos que vivem (ou viveram) acima das possibilidades. mas há azares que construímos nós...como não fazer a revisão de um carro e ele dar problemos.
Lembro-me de que queríamos comprar uma casa maior quando estávamos em Portugal, queríamos mais um quarto para um segundo filho um que planeámos e demorou mais de um ano a chegar. Para ter mais um quarto já tínhamos que pagar quase mais 50000 euros na mesma zona, metade do que pagámos por uma casa completa, recuámos, o empréstimo seria mais elevado, teríamos que viver com muito menos e arriscar demasiado. Não o fizémos. Foi a decisão acertada porque depois saímos de Portugal.
Hoje abro o jornal e a Spanair cancelou todos os seus voos, milhares de passageiros presos nos aeroportos, centenas de funcionários desesperados para saber o que vai ser da vida deles, estas coisas sempre vão acontecer, fecham empresas nascem outras. A Easyjet e a Ryanair já lançaram tarifas especiais para "seduzir" esses viajantes desesperados, ainda nem morreu e já os abutres rondam á volta.
Parece que não sobrevivem os melhores mas sim os mais espertos. Comenta-se que aqui em Espanha na sua recente época de ouro cada região queria ter uma companhia áerea, alavancaram-se com dívidas para financiá-las, os seus gestores fecharam os bolsos e as empresas as portas, pouco ou nada voaram, pouco ou nada fomentaram o turismo dessas regiões pelo contrário. Tomamos decisões mesmo quando sabemos que estão erradas, caminho pelas ruas de Madrid e vejo o fruto dessas más decisões...mais gente a dormir e a viver na rua. E se me perguntam o que faço para ajudar? Trabalho. Pago os meus impostos que serão aumentados em 3% este ano, os juros vão aumentar e lá estarei para cumprir a minha dívida com o banco, a renda da casa onde estamos irá aumentar e cá estaremos também, irão cortar-me feriados e talvez dias de férias, irão fazer isto e aquilo, por melhor que sejam as minhas decisões sempre haverão factores externos a darem cabo delas e temos que estar preparados.
Sábado, 28 de Janeiro de 2012
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1 comentários:
ola bem vinda a este cantinho!
e parabens pela vinda de outro bebe!
k sejam 9 meses especiais!
tudo de bom! bjs
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